Voluptuosity: o corpo como lugar de silêncio
Voluptuosity é uma série de 12 desenhos a carvão onde o corpo surge como lugar de silêncio, peso e permanência, integrada na coleção Nocturnos.
Voluptuosity VIII
Há séries que não pedem explicação.
Pedem tempo…
Voluptuosity nasce dentro desse tempo mais lento, mais noturno, onde o corpo deixa de ser gesto público e passa a ser lugar de recolhimento.
É a nova série integrada na coleção Nocturnos, composta por 12 desenhos originais a carvão sobre papel premium 300 gsm.
Aqui, o corpo não é afirmativo nem narrativo.
Não posa.
Não representa.
Existe.
Os desenhos exploram a figura humana num estado de suspensão íntima — corpos vistos de costas, em queda, em repouso ou em deslocação lenta.
Há peso, há volume, há presença.
Mas tudo acontece num registo contido, quase silencioso, como se o gesto fosse apenas o suficiente para não desaparecer.
O carvão permite essa ambiguidade:
é matéria densa, mas frágil;
é linha, mas também sombra;
é desenho, mas quase respiração.
Voluptuosity não fala de excesso.
Fala de permanência.
Do corpo enquanto território sensível, longe do olhar imediato, próximo do que se sente antes de se dizer.
Tal como acontece em Nocturnos, esta série foi desenvolvida exclusivamente à noite — em sessões únicas, sem correção, deixando que o gesto permaneça visível, honesto, imperfeito.
As 12 obras são peças únicas, assinadas, realizadas em técnica de carvão sobre papel premium 300 gsm, e já se encontram disponíveis na secção Obras em Papel do site.
👉 Conclusão de café: há corpos que não se mostram — permanecem.
— HMad Artworks | Blog
Nocturnos: obras em papel agora disponíveis no site
Nocturnos reúne obras em papel criadas à noite, onde o gesto é direto, a matéria permanece visível e a figura humana habita o silêncio.
Lonely Moments III, emoldurado
Há trabalhos que nascem da urgência.
Outros, do silêncio.
E há ainda aqueles que só encontram o seu lugar quando a noite abranda o mundo.
Nocturnos nasce desse território noturno — um espaço onde o tempo desacelera, o ruído diminui e o gesto se torna mais direto.
É uma coleção de obras originais em papel, agora disponível numa nova secção do site HMad Artworks.
A coleção reúne desenhos e pinturas desenvolvidos a partir da figura humana em estado de recolhimento, suspensão e solidão silenciosa.
São trabalhos realizados maioritariamente à noite, muitas vezes numa única sessão, onde o gesto não é corrigido em excesso e a matéria permanece visível, honesta, presente.
Neste momento, estão já disponíveis duas séries:
Standing Alone
Uma primeira aproximação à figura isolada — vertical, contida, em confronto direto com o espaço que a envolve.
Lonely Moments
Variações mais fragmentadas, onde a solidão surge como instante e não como condição permanente. Pequenos estados de pausa, quase suspensos no tempo.
Todas as obras são peças únicas, realizadas sobre papel premium 300 gsm, em técnica mista, assinadas, e disponíveis com ou sem moldura.
Outras séries encontram-se já em progresso e irão integrar a coleção Nocturnos ao longo do tempo, mantendo este espaço em permanente construção — tal como o próprio trabalho.
A nova secção Obras em Papel já pode ser visitada no site.
👉 Conclusão de café: há trabalhos que só fazem sentido quando o mundo baixa a voz.
— HMad Artworks | Blog
Quando a espera também cria
A espera também cria — quando lhe damos espaço, transforma-se em palavra.
Nem sempre o tempo obedece aos nossos planos.
A exposição Minimal Expressions – Maximal Statements foi adiada por razões técnicas — daquelas que não dependem da vontade, nem do gesto, nem da cor certa. Apenas o tempo certo de cura.
E, de repente, houve espera.
Não a espera vazia, mas aquela que pesa.
A que deixa espaço.
A que insiste em perguntar: e agora?
Foi nesse intervalo que a palavra voltou a pedir atenção.
Poemas antigos reapareceram — alguns quase esquecidos, outros ainda demasiado vivos para serem deixados como estavam.
Houve revisões, cortes, silêncios respeitados.
E houve também textos novos, escritos sem pressa, como quem aceita que criar não é reagir, mas escutar.
Dessa pausa nasceu uma decisão clara:
em vez de lutar contra o adiamento, transformá-lo em matéria.
Assim começou a tomar forma uma trilogia poética — não como plano B, mas como continuidade natural de um percurso onde pintura e palavra sempre caminharam lado a lado.
Esta trilogia não substitui a exposição.
Não a explica.
Não a antecipa.
Existe por si.
Como tudo o que nasce quando deixamos a espera trabalhar connosco, e não contra nós.
Talvez algumas exposições precisem de tempo.
Alguns livros, de silêncio.
E alguns momentos, apenas de confiança no processo.
👉 Conclusão de café: às vezes, o que parece adiamento é apenas outra forma de chegada.
As coisas que tocam o invisível
Um livro para quem sabe que o essencial raramente grita — quase sempre sussurra.
2o livro da trilogia
Há livros que se escrevem devagar.
E há livros que se escrevem sozinhos — vindos daquele lugar onde a respiração se confunde com memória, e o silêncio parece ter corpo.
As coisas que tocam o invisível nasceu assim:
não como um gesto pensado, mas como um sussurro insistente.
Uma espécie de presença que me acompanhava no ateliê, na rua, no café, e que pedia forma — não para ser explicada, mas para ser ouvida.
Este livro é feito de pequenos movimentos.
Coisas que não se mostram à primeira vista, mas que deixam marca:
uma respiração mais funda, um arrepio sem motivo, uma palavra que volta no dia seguinte.
Não é um livro sobre o invisível.
É um livro com o invisível —
com aquilo que nos toca antes de sabermos que fomos tocados.
Há textos que parecem fragmentos de pele,
outros que são quase sombras,
outros ainda que só existem naquele espaço entre sentir e dizer.
E talvez seja precisamente aí que a poesia acontece:
no intervalo onde a emoção respira,
onde a palavra encontra luz,
onde o corpo sabe mais do que a cabeça admite.
Se há um propósito neste livro, é simples:
lembrar-te (e lembrar-me) que nem tudo o que importa tem forma.
Mas tudo o que importa deixa vestígio.
👉 Conclusão de café: Há coisas que não se veem — mas se sentem. E, às vezes, isso basta.
Quando as lágrimas não pedem licença
Às vezes, criar é chorar de pé — uma forma secreta de continuar quando tudo quer parar.
Mesmo em lágrimas, a arte respira.
Há dias em que a alma decide chorar antes de eu perceber porquê.
As lágrimas chegam sem aviso,
sem nome,
sem explicação que caiba em palavras.
São rios que descem do cansaço,
da ausência de retorno,
do peso de criar num mundo que nem sempre escuta.
E eu deixo.
Deixo que lavem o que a coragem já não alcança,
que desfaçam o nó que o silêncio aperta.
Porque talvez chorar também seja continuar —
uma forma secreta de resistir
quando tudo em mim quer desistir.
Amanhã talvez volte a erguer-me.
Não por força,
mas por fidelidade a algo em mim
que insiste em existir.
Mesmo cansado.
Mesmo sem aplausos.
Mesmo em lágrimas.
👉 Moral artística da novela: criar é, às vezes, chorar de pé.
O lugar da Palavra — onde o silêncio encontra forma
A palavra também é matéria: respira, pausa e cria.
O silêncio, finalmente, com voz.
Há muito tempo que a palavra pedia o seu espaço.
Um lugar onde pudesse existir sem pressa,
onde o silêncio não fosse ausência, mas origem.
Assim nasceu O lugar da Palavra —
um espaço dedicado à poesia dentro da HMad Artworks.
Aqui, a palavra é também matéria: respira, pausa e cria.
O primeiro livro da trilogia poética inaugura este novo caminho.
Chama-se O lugar onde o silêncio mora —
um conjunto de poemas curtos, quase sussurrados,
onde tudo o que se move começa antes da forma.
É o início de uma viagem interior,
onde o tempo é ar, e a escuta, gesto.
📖 O lugar onde o silêncio mora
Edição digital exclusiva — disponível em O lugar da Palavra
👉 Conclusão de café: há palavras que não se dizem — apenas se escutam.
A arte como forma de presença
A arte não é fuga — é presença. O gesto que diz “estou aqui”, mesmo no silêncio.
Onde o gesto fica, mesmo depois de partir.
“A arte não reproduz o visível, torna visível.” — Paul Klee
Há quem pinte para fugir.
Eu pinto para ficar.
A arte, no fundo, é uma forma de presença — não de representação.
É o gesto que diz: “estou aqui”, mesmo quando não há palavras.
Quando pintas, escreves, ou moldas, estás a suspender o tempo.
Não para escapar ao mundo, mas para tocá-lo de outro modo — com as mãos, com o olhar, com o silêncio.
A arte não resolve nada.
Mas dá forma ao que sentimos, e isso, às vezes, basta para continuar.
Estar presente não é apenas estar no espaço.
É estar inteiro no instante — corpo, respiração, cor.
E a arte é talvez o único lugar onde isso ainda é possível.
👉 Conclusão de café: criar é uma forma de dizer “ainda estou aqui”, mesmo quando o resto parece ausente.
Quando a pintura pede silêncio
Quando a pintura pede silêncio, o gesto aprende a ouvir antes de falar.
O silêncio também tem cor.
“Há um instante antes de cada gesto — e é aí que a pintura respira.” — HMad
Há dias em que o ateliê pede silêncio.
Não aquele silêncio confortável, mas o outro — o que pesa, o que te obriga a parar.
O ruído da cidade fica lá fora, e até os pincéis parecem esperar por algo que não sabes nomear.
Abres um tubo de tinta, mas não é a cor que procuras — é o ar entre as cores.
A pintura, às vezes, pede pausa.
Quer tempo para ouvir o que ainda não disseste.
E se insistes em apressar o gesto, ela cala-se.
Há uma humildade em aceitar esse silêncio.
Porque, no fundo, é nele que a obra se forma — antes de existir, antes de ser tua.
👉 Conclusão de café: o silêncio também é uma ferramenta — só não vem no estojo de pincéis.
O poder do vazio nas artes visuais
O vazio não é ausência — é o lugar onde a arte respira.
Onde o silêncio se torna visível.
“O nada não é um buraco; é um campo de possibilidades.” — John Cage
Há quem tenha medo do vazio — do silêncio, do espaço em branco, do intervalo.
Mas nas artes visuais, o vazio é tudo menos ausência: é o lugar onde a obra respira.
Malevich pintou o seu Quadrado Branco sobre Branco como se dissesse: “Já não preciso de nada para que algo exista.”
Rothko mergulhou-nos em campos de cor que são, na verdade, portais de silêncio.
E Agnes Martin provou que a delicadeza pode ser tão radical quanto o gesto mais violento.
O vazio não é falta de expressão.
É o momento antes da palavra, antes da cor — aquele instante em que o olhar ainda está a aprender a ver.
No fundo, o vazio é o ponto de partida de tudo.
Sem ele, o gesto não tem onde pousar, e o pensamento não tem onde ecoar.
👉 Conclusão de café: o vazio não é o contrário da arte — é o seu fôlego.
Pequenos enganos, grandes começos
De First Expressions a Minimal Expressions / Maximal Statements: um percurso do gesto à síntese, entre Novembro e Dezembro.
O início de uma linguagem que ainda está a reinventar-se.
“A arte também vive de acasos — e às vezes o calendário decide por nós.”
O Restaurante Galeria publicou o cartaz da minha exposição First Expressions.
Tudo certo — quase. Só falhou um detalhe: o mês.
A mostra muda em dezembro, não em novembro.
Mas até esse pequeno engano acabou por fazer sentido — porque, no fundo, deu-me oportunidade para falar já do que aí vem a seguir…
First Expressions reúne as minhas primeiras incursões no Expressionismo Abstrato — gestos instintivos, cor crua, energia a descobrir-se.
Agora, em dezembro, chega Minimal Expressions / Maximal Statements, onde esses impulsos amadurecem, ganham contenção e respiração.
Entre uma e outra, há um percurso: da explosão à síntese, do gesto à estrutura, da urgência ao silêncio.
É a mesma linguagem, mas dita com outro fôlego.
👉 Conclusão de café: às vezes, até os enganos do calendário ajudam a contar a história certa.
Entre silêncio e pigmento
Um regresso breve: o ateliê falou mais alto e o silêncio serviu para criar.
Depois do barulho, fica o silêncio do ateliê.
“Há momentos em que o silêncio é a única forma de trabalhar.” — HMad
Já há algum tempo que não escrevia por aqui. Mea culpa.
Mas às vezes o ateliê fala mais alto — e o blog, coitado, tem de esperar a sua vez na fila.
O trabalho para as exposições acabou por se multiplicar: uma em novembro, outra em dezembro.
Duas frentes, dois ritmos, e o mesmo par de mãos a tentar dar conta do recado.
Entre telas, cor e café frio, o tempo simplesmente evaporou-se.
Mas é bom sinal: significa que a matéria ganhou vida, que o silêncio serviu para criar.
👉 Conclusão de café: não estive ausente — estive ocupado a preparar o barulho certo.
A Evolução da Escultura: Do Barro Ancestral às Instalações Contemporâneas
Da vontade de esculpir um deus no mármore ao desejo de criar uma pergunta no espaço, a escultura evoluiu, mas o seu impulso central mantém-se intacto.
"A escultura é a arte da inteligência."
— Pablo Picasso
Pensa no primeiro escultor. Não um artista, mas um ser humano que pegou num punhado de barro e, por um impulso que nem ele compreenderia, lhe deixou a marca de um dedo. Essa covinha, feita sem qualquer utilidade aparente, foi a primeira revolução.
A escultura nasceu dessa relação táctil com o mundo. Do barro à pedra, depois ao bronze. Era a ânsia de tornar permanente o efémero, de dar forma ao invisível. Os deuses, os reis, os heróis. A matéria era pesada, o trabalho era físico, a eternidade era o objetivo.
E depois? A missão mudou.
A Grande Viragem: Do Representar ao Perguntar
A escultura clássica queria responder. A contemporânea prefere perguntar.
Já não se trata apenas de dominar a matéria para criar uma forma bela ou poderosa. Trata-se de desafiar a própria ideia do que é uma escultura. Pode ser uma instalação feita de luz e sombra? Pode ser um objeto encontrado na rua? Pode ser uma experiência imersiva que só existe enquanto tu, espectador, estás lá dentro?
O mármore deu lugar ao plástico, ao vidro, aos dados digitais. A ferramenta já não é só o cinzel, mas o código, o sensor, a conceção.
O Fio Condutor Invisível
Parece uma rutura total, não parece? Do ídolo de barro à nuvem de dados.
Mas olha outra vez. O fio condutor está lá. É aquele mesmo impulso do primeiro ser humano com o barro: o desejo de tocar no mundo e deixar uma marca. Seja um sulco no barro, uma dobra no aço corten ou um ponto de luz num espaço vazio.
A escultura continua a ser a arte do espaço, do volume, da presença. Só que agora, em vez de nos mostrar um deus, convida-nos a pensar sobre o que é um deus. Em vez de nos impor uma narrativa, oferece-nos um espaço para imaginar a nossa.
É menos sobre monumentos. E mais sobre momentos. Menos sobre a eternidade. E mais sobre o agora.
👉 Em bom português: A escultura já não pergunta "o que é que eu represento?", mas sim "o que é que eu provoco em ti?". E essa é a sua maior evolução.
A Exposição Vai Chegar Mais Cedo (E Fica Mais Tempo)
A minha próxima exposição foi antecipada para 1 de Novembro e prolongada até 31 de Dezembro. Um sprint criativo pela frente.
"A arte, como a vida, acontece num ritmo que lhe é próprio.”— HMad
Pois é. A exposição que estava marcada para Dezembro decidiu dar um salto no tempo.
“O Galeria” ligou com novidades. A abertura foi antecipada e a duração expandida. O novo mapa é este: a exposição inaugura a 1 de Novembro e encerra a 1 de Janeiro. Dois meses completos, em vez de um.
Isto muda a paisagem criativa por completo.
E, ao contrário do que se possa pensar, não se tornou numa maratona. Tornou-se num sprint. Um sprint mais curto e intenso para chegar a 1 de Novembro com tudo pronto. A adrenalina é outra. A pressão também. Mas a recompensa é clara: depois da inauguração, há dois meses inteiros para as obras respirarem, longe da loucura natalícia de Dezembro, e serem vistas na calma de Janeiro.
Quanto ao que estou a preparar? Essa conversa fica para as próximas semanas. Ainda não há sneak peeks para mostrar, só a certeza de que a antecipação vai trazer uma energia diferente para as telas.
Vai passando por aqui. As novidades chegam assim que eu as tiver.
👉 O resto é conversa de mesa de café: Um sprint agora para uma longa conversa depois. O plano é bom.
5 artistas contemporâneos que reinventaram o uso da cor
Cinco artistas contemporâneos que transformaram a cor em linguagem, experiência e atitude.
Tubos de tinta em revolta cromática.
“A cor é o lugar onde o nosso cérebro e o universo se encontram.” — Paul Klee
Toda a gente fala de Van Gogh, Matisse e Rothko quando o tema é cor. Mas e os artistas de hoje? Não vivem na sombra: reinventam a cor como linguagem, experiência, até como provocação. Eis cinco nomes que devias ter na ponta da língua no próximo jantar artístico.
Olafur Eliasson
Não pinta, mas pinta com luz. As suas instalações transformam salas em pôres do sol artificiais e névoas coloridas. Para ele, a cor não é tinta: é ambiente.
Anish Kapoor
Se já viste aquele preto que engole o olhar (o famoso Vantablack, e a polémica à volta dele), sabes do que falo. Kapoor não usa cor como decoração, mas como poder absoluto.
Yayoi Kusama
Polka dots, infinitos espelhados e salas que parecem saídas de um delírio pop. Kusama transformou a cor em obsessão repetitiva — e nisso encontrou a sua liberdade.
Sean Scully
Parece “só” geometria, mas é poesia em blocos. As suas faixas de cor respiram, vibram, quase se movem. A abstração dele é quente, não clínica.
Cecily Brown
Pinta como quem mergulha no caos. As cores explodem, borram-se, misturam-se em gestos furiosos. É pintura que não pede licença para entrar.
👉 Em bom português: a cor nunca foi só estética — é também atitude. Estes cinco provam que ainda pode reinventar-se a cada geração.
O drama criativo: pó de madeira e caras de teimosia
O drama criativo: quando a matéria insiste em não colaborar com os planos do artista.
Entre pó, ferramentas e teimosia.
Às vezes o ateliê parece cena de tribunal: eu argumento, a madeira responde. Imagino fluidez, ela insiste em devolver arestas.
O resultado está aqui — entre pó, ferramentas e cara feia que nasceu do bloco quase por teimosia.
👉 Moral artística da novela: o artista não vence a matéria — só negoceia tréguas temporárias.
Antes da primeira pincelada
A pintura não começa na tela, mas no silêncio que prepara o espaço para que a obra aconteça.
Silêncio antes da criação.
“Não é o pintor que escolhe o quadro, é o quadro que escolhe o pintor.” — Georges Braque
Muita gente pensa que a pintura começa no instante em que o pincel toca a tela. Como se fosse magia imediata: cor → tela → obra.
Mas para mim, começa muito antes. No silêncio. No vazio. Naquele espaço invisível onde a obra decide se quer nascer.
O que vem antes
Cada série pede a sua própria lógica. Já vi telas transformarem-se em fragmentos de memória, em corpos a dançar, em territórios por explorar. Nunca repito o caminho. Cada exposição obriga-me a desaprender e a inventar uma nova forma de pensar.
É aí que mora o risco: entrar numa floresta que nunca percorri, sem mapa, sem garantia de saída. E, claro, com a esperança teimosa de que no fim haja luz.
Ordem e caos à mesa
Posso traçar planos, esboçar ideias, encher cadernos de notas. Mas chega a hora da verdade: a cor escolhe o seu destino, o gesto impõe-se, o quadro responde. E eu? Eu sigo.
É nesse fio tenso entre ordem e caos que a obra se revela — e, às vezes, me surpreende mais do que a ti.
O verdadeiro segredo
Talvez a chave não esteja em dominar a pintura. Talvez seja apenas isto: preparar o espaço para que ela aconteça. Como quem abre uma clareira e espera que a luz atravesse.
👉 Conclusão de café: a pintura não começa na tela, mas no espaço que abrimos para que ela exista. E em Dezembro vou abrir esse espaço contigo.
Por que ainda falamos de Van Gogh?
Van Gogh continua a falar connosco porque a sua pintura grita urgência, dor e beleza — tudo o que a arte precisa.
Vincent van Gogh, “Two Cut Sunflowers” (1887). The Phillips Collection, Washington, DC. Imagem em domínio público via Wikimedia Commons.
“Eu sonho a minha pintura e pinto o meu sonho.” — Vincent van Gogh
Fala-se de Van Gogh como se fosse um velho amigo. E, de certa forma, é. Tu conheces o chapéu de palha, os girassóis, a orelha, as cartas ao irmão Theo. Mesmo que nunca tenhas posto os pés num museu, já te cruzaste com ele.
Mas porquê esta obsessão coletiva?
A tragédia vende (e muito)
Van Gogh é o rockstar original da pintura: pobre, incompreendido, suicida. Viveu na miséria, morreu cedo, não vendeu quase nada em vida. O resto da história já sabes — o mercado e a crítica transformaram-no em lenda. A cultura adora mártires.
A cor que grita
Olha para um quadro dele e diz-me que não ouves som. O amarelo dos girassóis parece cuspir luz. O céu estrelado não é céu, é música em óleo. Há ali uma intensidade que atravessa o tempo, quase sem tradução.
O mito da autenticidade
Na era dos filtros do Instagram e dos currículos polidos no LinkedIn, Van Gogh funciona como contraponto. O “louco genial” que não fingia. Que queimava por dentro e atirava as brasas para a tela. Verdade ou construção romântica? Tanto faz. Funciona.
E tu, onde entras?
Falamos de Van Gogh porque precisamos de alguém que nos lembre que a arte não é só mercado, não é só técnica, não é só “bom gosto”. É excesso, é dor, é beleza que incomoda.
👉 Moral artística da novela: Van Gogh é o lembrete de que a arte, para ser arte, tem de ser urgente.
As frases mais sarcásticas sobre arte de sempre
Cinco frases sarcásticas sobre arte que valem mais do que muitas críticas sérias.
“Arte à parte, primeiro o prato.”
“A pintura é fácil quando não sabes como, mas muito difícil quando sabes.” — Edgar Degas
Introdução
Nada como um pouco de sarcasmo artístico para começar a semana. Eis um top de frases que dão vontade de rir… e às vezes de chorar.
As pérolas
“A escultura é o que você tropeça quando dá um passo atrás para ver uma pintura.” — Barnett Newman
“A arte é o pretexto mais caro para evitar trabalhar.” — Georges Braque
“A única coisa que me interessa em Paris é a comida.” — Pablo Picasso
“A crítica é como uma lâmpada elétrica: ilumina, mas queima se te encostares.” — Salvador Dalí
“Um artista é como um caracol: carrega a casa às costas e deixa rasto.” — Francis Bacon
Fecho
👉 O resto é conversa de mesa de café — mas com mais ironia pendurada na parede.
Fragmentos frescos: primeiras pistas da próxima exposição
Um fragmento direto do ateliê: cor, textura e as primeiras pistas da exposição de Dezembro.
“Pinto como respiro.” — Pablo Picasso
Introdução
Sexta-feira pede revelações. Não todas, claro — artista que se preze sabe que o suspense também é matéria-prima. Então, aqui fica: a primeira dentada visual do que aí vem na próxima exposição.
O detalhe que conta uma história
Na foto vês a mão, a tinta fresca, a espátula a rasgar a tela. Não é pose, é processo. E se mostra só um canto, é porque a obra inteira ainda não pode sair do ateliê. O segredo também pinta.
As primeiras telas
Estão a nascer em camadas grossas, quase escultóricas. Verdes que lembram selva, laranjas que piscam olho ao fogo. Textura a pedir que passes o dedo (não, não podes). É o lado físico da pintura — gesto, corpo, suor — que às vezes esqueces quando olhas só para o quadro pendurado.
Porquê mostrar agora?
Porque a exposição já respira, e tu mereces um cheirinho. É como abrir a panela antes da sopa estar pronta: sabes que ainda falta, mas não resistes a espreitar.
Fecho
👉 Moral artística da novela: este é só o primeiro fragmento. Até Dezembro, o blog vai largando pistas frescas…
Como escolher entre tela e papel: guia simples para não se perder na papelaria
Um guia rápido, divertido e direto para não te perderes entre telas e papéis na papelaria.
“A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver.” — Paul Klee
Tu entras numa papelaria. O plano era rápido: comprar “qualquer coisa para pintar”. Meia hora depois, ainda estás parado entre telas, papéis lisos, granulados, grossos, finos, baratos, caros… e já pensas em fingir que esqueceste a carteira.
Tela ou papel? Eis a questão
O dilema é velho. A tela dá prestígio, parece logo “arte séria”. O papel é mais democrático, versátil, cabe em qualquer pasta. Ambos têm charme — mas convém saber o que cada um pede.
Quando escolher tela
Queres que a peça dure décadas sem amarelar.
Vais trabalhar com tinta a óleo ou acrílico (o papel sofre com isso).
Gostas da textura irregular que dá profundidade à cor.
Queres pendurar a obra na parede sem moldura.
Precisas de sentir que és “pintor de cavalete”, nem que seja só ao domingo.
Quando escolher papel
Preferes experimentar técnicas (aquarela, guache, grafite, pastel seco).
Gostas da liberdade de rasgar, colar, dobrar.
Não tens espaço para armazenar telas (o papel empilha).
Queres algo mais barato para testes ou séries rápidas.
Sabes que até Picasso usava papel para rabiscar — e não lhe correu nada mal.
Dica de sobrevivência na papelaria
Se ainda assim bloqueares no corredor das gramagens: compra os dois. O pior que acontece é descobrires que afinal és artista multimédia sem saber.
👉 Moral artística da novela: tela impressiona, papel liberta. No fundo, é como escolher entre vinho e café — cada um tem o seu momento.