Quando a pintura pede silêncio

O silêncio também tem cor.

“Há um instante antes de cada gesto — e é aí que a pintura respira.” — HMad

Há dias em que o ateliê pede silêncio.
Não aquele silêncio confortável, mas o outro — o que pesa, o que te obriga a parar.

O ruído da cidade fica lá fora, e até os pincéis parecem esperar por algo que não sabes nomear.
Abres um tubo de tinta, mas não é a cor que procuras — é o ar entre as cores.

A pintura, às vezes, pede pausa.
Quer tempo para ouvir o que ainda não disseste.
E se insistes em apressar o gesto, ela cala-se.

Há uma humildade em aceitar esse silêncio.
Porque, no fundo, é nele que a obra se forma — antes de existir, antes de ser tua.

👉 Conclusão de café: o silêncio também é uma ferramenta — só não vem no estojo de pincéis.

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