Nem sempre o tempo obedece aos nossos planos.
A exposição Minimal Expressions – Maximal Statements foi adiada por razões técnicas — daquelas que não dependem da vontade, nem do gesto, nem da cor certa. Apenas o tempo certo de cura.

E, de repente, houve espera.

Não a espera vazia, mas aquela que pesa.
A que deixa espaço.
A que insiste em perguntar: e agora?

Foi nesse intervalo que a palavra voltou a pedir atenção.
Poemas antigos reapareceram — alguns quase esquecidos, outros ainda demasiado vivos para serem deixados como estavam.
Houve revisões, cortes, silêncios respeitados.
E houve também textos novos, escritos sem pressa, como quem aceita que criar não é reagir, mas escutar.

Dessa pausa nasceu uma decisão clara:
em vez de lutar contra o adiamento, transformá-lo em matéria.
Assim começou a tomar forma uma trilogia poética — não como plano B, mas como continuidade natural de um percurso onde pintura e palavra sempre caminharam lado a lado.

Esta trilogia não substitui a exposição.
Não a explica.
Não a antecipa.

Existe por si.
Como tudo o que nasce quando deixamos a espera trabalhar connosco, e não contra nós.

Talvez algumas exposições precisem de tempo.
Alguns livros, de silêncio.
E alguns momentos, apenas de confiança no processo.

👉 Conclusão de café: às vezes, o que parece adiamento é apenas outra forma de chegada.

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