O que permanece
O Herdeiro de Tudo e de Nada é o meu quarto livro de poesia.
Um percurso entre o vazio e o excesso, onde duas linguagens se cruzam até deixarem de se separar.
O quarto livro de poesia.
Há livros que se escrevem.
E há livros que se atravessam.
O Herdeiro de Tudo e de Nada não nasceu de uma ideia, mas de um percurso — feito de aproximações, de excessos, de silêncios e de rupturas. Um processo onde nem tudo se resolveu, mas tudo se foi revelando de alguma forma.
Este é o meu quarto livro de poesia.
Dividido em três momentos — Nada, Tudo e Herdeiro — acompanha uma transformação: do vazio ao excesso, até ao ponto onde duas linguagens distintas deixam de se separar.
Não há aqui uma tentativa de explicar.
Nem de concluir.
Há apenas um movimento.
Um ponto onde o que sentimos já não precisa de nome para existir.
Se algo ficar deste livro, não será uma resposta —
mas um reconhecimento.
O livro já está disponível AQUI.
— HMad Artworks | Blog
Quando a espera também cria
A espera também cria — quando lhe damos espaço, transforma-se em palavra.
Nem sempre o tempo obedece aos nossos planos.
A exposição Minimal Expressions – Maximal Statements foi adiada por razões técnicas — daquelas que não dependem da vontade, nem do gesto, nem da cor certa. Apenas o tempo certo de cura.
E, de repente, houve espera.
Não a espera vazia, mas aquela que pesa.
A que deixa espaço.
A que insiste em perguntar: e agora?
Foi nesse intervalo que a palavra voltou a pedir atenção.
Poemas antigos reapareceram — alguns quase esquecidos, outros ainda demasiado vivos para serem deixados como estavam.
Houve revisões, cortes, silêncios respeitados.
E houve também textos novos, escritos sem pressa, como quem aceita que criar não é reagir, mas escutar.
Dessa pausa nasceu uma decisão clara:
em vez de lutar contra o adiamento, transformá-lo em matéria.
Assim começou a tomar forma uma trilogia poética — não como plano B, mas como continuidade natural de um percurso onde pintura e palavra sempre caminharam lado a lado.
Esta trilogia não substitui a exposição.
Não a explica.
Não a antecipa.
Existe por si.
Como tudo o que nasce quando deixamos a espera trabalhar connosco, e não contra nós.
Talvez algumas exposições precisem de tempo.
Alguns livros, de silêncio.
E alguns momentos, apenas de confiança no processo.
👉 Conclusão de café: às vezes, o que parece adiamento é apenas outra forma de chegada.
Picasso: génio ou vendedor de ilusões?
Picasso: génio inegável ou mestre das ilusões? Entre o artista revolucionário e o vendedor do próprio mito, a verdade talvez esteja no meio.
Pablo Picasso, 1950s. Fotografia de André Villers.
“Leva anos para aprender a pintar como os mestres, mas uma vida inteira para voltar a pintar como uma criança.” — Pablo Picasso
Picasso foi génio ou foi um excelente vendedor de ilusões?
A pergunta incomoda, porque mexe com o pedestal onde o colocámos.
De um lado, o génio inegável:
Reinventou-se em vários estilos, do azul ao cubismo.
Destruiu convenções e abriu portas a quase tudo o que hoje chamamos de arte contemporânea.
Criou obras icónicas que até quem não gosta de arte reconhece.
Do outro, o mestre da ilusão:
Sabia provocar, escandalizar e chamar atenção como poucos.
Vendeu-se (e vendeu-nos) a ideia de que qualquer traço seu era arte.
Transformou a sua persona num espetáculo — e isso também se paga caro.
Gertrude Stein, que conviveu com ele em Paris, dizia:
“Ele é espanhol, tu sabes… e para um espanhol, o mundo é um palco.”
E o crítico Robert Hughes não poupava ironia:
“Picasso tinha tanto de vendedor como de pintor. Mas talvez fosse esse o segredo da sua grandeza.”
👉 O que sobra é esta ambiguidade deliciosa: Picasso foi artista e performer, pintor e vendedor, génio e ilusionista. Talvez seja isso que o torna eterno — não se consegue encaixá-lo numa só caixa.
E tu? Quando olhas para um Picasso, vês génio, truque ou os dois ao mesmo tempo?
👉 Moral artística da novela
Picasso pode ter vendido ilusões, mas talvez seja esse o maior dos seus talentos: convencer-nos de que a arte é mais do que tinta na tela — é também a história que acreditamos ver.
O que é arte, afinal?
O que é arte, afinal?
Não são só museus e paredes brancas.
Às vezes é um rabisco no guardanapo, um silêncio entre duas notas… ou simplesmente mãos cheias de tinta e café quente ao lado.
Tinta e café — os combustíveis oficiais da insanidade criativa.
“Arte é aquilo que faz o teu coração bater mais rápido. Ou mais devagar. Mas nunca indiferente.” — Anónimo
Arte não é só museus e paredes brancas.
Arte pode ser o rabisco no guardanapo, a foto desfocada que afinal tem mais alma do que a “perfeita”, ou até o silêncio entre duas notas de guitarra.
É pessoal, mas também universal.
É sério, mas pode ser uma palhaçada genial.
É trabalho duro, mas também um golpe de sorte.
👉 O truque? Não precisa de definição única. Precisa é de espaço para respirares e sentires.
👉 Em bom português: o que interessa é isto
Arte é tudo o que te obriga a parar por um segundo e pensar: “Espera aí… isto mexeu comigo.”